09 Dezembro, 2006

Volto aqui, apesar de nunca ter saído. Volto esta noite pra contar dos caminhos cruzados. Volto pra dizer que talvez alguém tenha atravessado a linha pontilhada, aquela que se fez em volta de gente. Aquela que você atravessou tantas e tantas vezes, e eu ali parada, esperando que você voltasse.
Você sempre volta. E eu aqui parada, esperando as suas costas se transformarem em peito. A nuca se transformar em boca.
Em um desses dias de passeio, eu no meu banquinho lendo um conto, você contando estrelas, você por aí contabilizando outras estrelas.
Entrou alguém aqui e me mostrou o último parágrafo. O que eu nunca quis ler, porque sempre que você voltava eu retomava o início, pra não dar tempo da saudade se fazer desacompanhada, pra se construir em letras e sons. Os sons que eu ensaiava pra te vestir de transparências, pro mundo te enxergar melhor. As letras que me faziam analfabeta.
Entrou alguém enquanto as suas voltas demoraram um pouquinho mais.
Entrou alguém e me pôs entre os dedos. Escorreguei entre eles e fui te encontrar mais uma vez, do lado de fora.