29 Outubro, 2006

Outra saudade...
Éramos eu, música, cama e saudade de você. Vontade de construir uma ponte, mas curta e estreita, pra eu poder chegar aí junto com a luz. Vontade das garrafas cheias de ar no fim da noite, do riso frouxo e alto, do nosso riso. Vontade da sua voz, voz de madrugada, voz de “quero você aqui”. Vontade de virar pena, pra chegar até você leve, te dar paz. Vontade de mãos nas costas, firmes. Vontade de queixo no ombro. Vontade de ter jeito pra isso. Passam esses dias de vontades, passo eu aqui, metade até você voltar. Somos eu, letras e saudade de você.

21 Outubro, 2006

Saudade de Você
Leoni / Cris Braun / Luciana Fregolente


Me diz pra onde vai você
E o que você não vê
Quando você corre atrás. De quê?

Onde isso vai parar?
Se é que você pensou
Em chegar a algum lugar

Espera o sol desabar no mar
Mergulhar no silêncio

E agora onde está você
Será que já percebeu
Os sonhos que você perdeu. Por quê?

É cedo pra desistir
É cedo pra não lembrar
Que o plano era ser feliz
Então me diz pra onde vai você
Tropeçando em si mesmo

Me diz então
Quando você vai ter
Saudade de você

14 Outubro, 2006

Fui eu

Tenho me silenciado. Não queria mais falar de vazio. Queria poder não chorar ao ouvir Damien Rice, falar da noite maravilhosa de ontem, dessa gente ao meu redor. Será possível? Lembrar das coisas boas sem desejá-las mais uma vez, quem sabe não lembrar. Desejá-las mais uma vez pra você, com aquela outra menina, só pra ter certeza de que tudo vai bem, e que esse sorriso que chega sempre antes do seu corpo, continua grande. Desse jeito eu me sinto maior ainda. Sinto, mas não sou. Sinto que não sou. Simplesmente porque não sinto nada assim. Ainda tenho vontade de andar daqui até a sua rua, a pé mesmo, pro meu desejo ir acumulando nos pés, e quando a gente chegar bem perto, explodir na boca.
Acabei de acordar, acabei de lembrar da nossa última vez juntos. Não! Não estávamos juntos, mas apenas ali, no mesmo lugar, como dois estranhos, como se não tivesse feito a menor diferença aquele céu da primeira vez, como se as testemunhas nunca tivessem existido. Um bando de interrogações começaram então a passear aqui por dentro, uma atrás da outra. Uma lágrima, mais uma, três agora então. Aquela saia que você adora está molhada, uma poça de lágrimas, um lago de respostas. Descobri que você nunca existiu, quem te inventou fui eu.

13 Outubro, 2006

Pouco importam esses quilômetros todos que nos separam, olha você aqui. Consegue calar as minhas lágrimas do outro lado, estica esses braços tão longe que é capaz de segurar minhas mãos trêmulas. Eu não te largo, não me permito distanciar o nosso adeus a ponto de esquecer o quanto nos encontramos todos os dias, tão de perto. Olha você aqui, de novo, agora. Nessas letrinhas todas. Vê? No meu dicionário não existe mais saudade, existe Daniel Tavares.

10 Outubro, 2006

Bia diz:
esses dias serão muito ruins
Bela diz:
você precisa deles, pra que os próximos sejam melhores

09 Outubro, 2006

Vale

Foi a segunda-feira mais difícil, justo depois do domingo mais longo. Isso tudo porque de vez em quando o tempo pára pra eu poder pisar no chão mais uma vez, pra recriar um mundo egoísta. No meu mundinho só cabem as pessoas capazes dos abraços mais longos, e não há espaço para mais nada além. Ah sim! Tem uma rede também. Ela me permite um balanço delicioso sem cair em outros mundos, sem me perder dos colinhos escolhidos um a um. Eu digo egoísta sim, porque privar o resto do mundo de pessoas tão absolutamente, seria deixá-lo morrer sem esperança, seria derramar a água desse balde aqui, bem na minha frente. Não, eu não posso. Eu me misturo pelo mundo, eu deixo que eles vivam por aí, livres, e que voltem quando eu precisar, e que sejam sempre assim, sem dúvidas. Que continuem sem saber ao certo o tamanho dessa importância toda, pra poderem se doar cada vez mais.
Eu me ofereço, eu ofereço os meus amigos, os poucos, os poucos e grandes, os poucos de sempre, os poucos e tanto, os poucos mas muito..... alguns dos porquês dessa vida, alguns dos que vêm me dizer que vale tanto à pena e me fazem espalhar tudo isso que eu guardo aqui dentro por aí. Amo, muito.

07 Outubro, 2006

Menino-refrão
É que eu sempre preciso de música, e aquele menino aparece logo no refrão. Gruda nos ouvidos e na boca que não pára de cantar, o menino que não sabe nada das diferenças, o menino que não sabe explicar de onde vem. Também não explico o menino, sobraram pra ele uma série de braços cruzados, que deixei em casa por hoje, pra poder abraçá-lo uma última vez.