29 Setembro, 2006

Até quando?

O dia ainda está pela metade e as curvas de hoje ainda se parecem com as de ontem, um pra lá e pra cá que revira minhas idéias tortas. Elas ainda precisam sossegar por alguns longos instantes, talvez um pouco mais. Tudo porque volta e meia penso nas noites regadas de sorrisos, as de música, sempre de pé de ouvido pra mais tarde chegar na nuca. Temo por ainda estar aqui, tão completamente, porque doem esses pregos que fui obrigada a martelar, e nem assim, nem por quase nada, nem por tanto, eu consigo deixar de sentir só amor.
Agora me diz porque a teimosia nessa doçura toda? Eu já aprendi que me afogo aí por dentro, então não me jogo mais essa vez, e acredita, não é por falta de vontade. Porque parece que eu ainda vou querer esses suspiros por séculos.

28 Setembro, 2006

- Ei! Psiu! Eu tenho duas mãos. Vê?
- Sim, me dá uma?
- Não...a gente pode compartilhar das nossas, que tal?
- E como é isso?
- Cada um se dá um pouquinho.
- Mas eu não conheço essa coisa de “se dar”
- Primeiro você me aceita, então eu te tomo.

E nunca mais se encontraram...Precisava?
Ele homem de muitas questões, ela mulher de algodão-doce

Sobrou deles a cesta de café e uma série de entregas

27 Setembro, 2006


Eu não sei, mas sempre me pareceu que as pessoas costumam achar bonitas as coisas que não são capazes de compreender. Será?

26 Setembro, 2006

As minhas mãos e pernas ainda estão aqui, firmes. Elas se equilibram naquele seu sorriso, o mesmo de tanto tempo, que teima em te vestir inteiro. E a minha visão turva toda vez que viro as costas e deixo aquelas últimas lágrimas pra trás, elas se multiplicam. Faz falta a sua boca de falar, muito. Alguns olhos daqueles negros que espetam, tremem, param comigo e fazem das minhas mãos vazias, abertas por agora. As pernas ainda paradas, nenhum passo a mais. O mesmo vento entre elas bagunça aqueles seus cabelos de mexer, aquela sua cabeça de entender. Eu solto, solto você.
"e quando passar, algo ainda mais triste vai acontecer: eu não vou mais te amar"

25 Setembro, 2006

Um dia novo e inteirinho pra rabiscar umas pegadas novas e cheias de placas: “por ali”, “aumente o som”, “um abraço por favor”, “uma mão aqui”. Todas distribuídas uniformemente na direção dos meus passos leves enquanto firmes e retos. O pescoço doído pelo esforço de manter a cabeça olhando pra frente, pra enxergar o tanto que resta a andar. Alguém com medo? Ora, se as bolhas de sabão podem viajar tão leves, a gente pega uma carona nelas, pisa nas nuvens, desce uma escada e engrena numa outra estrada recheada notas novas e indiscutivelmente mais sonoras.


Quando você se foi, roubou alguns sorrisos. Agora fica mandando todos de volta aí de longe, mas vão ficar aqui dentro todas aquelas gargalhadas com jeito de fim de filme comédia. E os sorrisos com gosto de bobagens na areia úmida, culpa da maré alta. As nossas sombras caminhando juntas, os passos firmes e sem medo. As certezas que não deixarão de ser, os abraços que terão tempo de ser feito fruta que nunca amadurece, pra eu lembrar de você de perto, como sempre.
Amigo de verdade longe também faz suspirar

24 Setembro, 2006

Um ser, de verbo, sem medida. Só sei ser inteira, me jogando entre todos os vãos, preenchendo aqueles vazios que parecem tão tristes e atraentes. Sim, atraentes. Incrivelmente confusos e clamando pelos meus olhos de atenção. Eu páro e olho. Pergunto. Aceito a resposta, tão clara. E ficam os meus pés batendo no chão, esperando que o buraco, o dono da resposta, aceite ser preenchido. Que se transforme em coisa com jeito de amarelo. Amarelo do sol em dia de feriado, dia de acordar com olhos de falar mais, muito mais, porque olhos sempre fazem escrita e palavra parecerem estúpidas. Olhos nunca souberam mentir, muito menos os seus, que de tão lindos acabaram por fazer fechar os meus. Então fechei-os num pensamento longo, pesei todos os suspiros, o gosto doce daqueles últimos cinco instantes demorados e me ofereci mais uma vez, nada de metade. Inteira.